Olie dá mergulho no rap, grime e discute racialidade no EP “Do Céu ao Inferno”


Anos atrás, Oliver Alexandreusado como nome nas redes sociais: Oliver Darshan, uma referência à banda que o tornou conhecido na capital federal. A darshan é uma banda de rock e foi nesse estilo que Oliver se envolveu e trabalhou nos últimos anos, agora dá um mergulho no rap e apresenta seu primeiro EP”Do céu ao inferno” com o novo apelido: olá.

Muita gente não sabe, mas meu primeiro contato consciente com a música foi com o rap. Cresci e moro em Sobradinho 2, foi com essa cultura que cresci, nessa realidade latente da periferia onde a cultura Hip Hop está sempre mostrando uma nova saída, consciência para a arte da expressão de rua. Acabei entrando no rock muito tempo depois porque não me achava letrista para escrever rap e me concentrei no instrumento. [guitarra]que acabou me levando para o rock“, conta olá.

Em plena pandemia, sem poder tocar, o artista percebeu que era hora de vender o violão e construir um estúdio em casa. Mais maduro, buscou as raízes musicais que o trouxeram até aqui. A EP com 4 músicas vai para diferentes estilos, indo de pop para rapcom influências do funk, afrobeatR&B, armadilha e perfuração.

Mergulhar não é por acaso. olá faz o ouvinte navegar pelas músicas que começam a falar de um amor inocente e apaixonado em “janelas”. Música solar e dançante que acaba falando de amor próprio. Dentro “De onde nós viemos” traz críticas sociais e raciais, com ênfase na liberdade feminina e companheirismo em mais uma música com R&B latente e pronta para boas festas. O clima está ficando mais pesado em “Vamos ver o que acontece” e “estalo”, em que as críticas são mais fortes e tratam de temas políticos, raciais, sociais e religiosos muito atuais, mesclando-se a experiências pessoais e ideias incendiárias e violentas. A última refere-se ainda ao armar da arma, deixando-a pronta para disparar.

Sempre escrevi expressando em palavras o caos entre o sentimento e o pensamento. Senti a necessidade pessoal de falar o que há muito estava preso dentro de mim de forma mais direta. Acredito que muito disso se deu também pelo fato de eu ter muito mais liberdade para escrever, falar e temas dentro do Rap. Não podemos esquecer que estamos passando por um momento político muito sombrio em nosso país, que não só se abriu, como aumentou violentamente diversos abusos e absurdos contra praticamente todas as áreas. Especialmente para os menos favorecidos, para as minorias e com todo esse acesso às redes sociais amplificado pela pandemia, esses abusos e absurdos têm sido expostos e debatidos incansavelmente. A ponto de ser praticamente impossível não abordar tais temas de forma tão direta.”, explica olá sobre o tema do PE.

Do céu ao inferno” está disponível em plataformas digitais e tem produção própria olá em parceria com Pedro Tavares (1234 Recording Studio) e colaboração com os produtores Lil J (Estúdios 7), viver (Em estúdios) e Estúdio de Gravação M&V.

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