O que é Rap Nacional?

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Rap significa em inglês “rhythm and poetry”, que traduzido é ritmo e poesia. Apareceu primeiramente na Jamaica, por volta dos anos 60 e foi levado para os Estados Unidos, no começo dos anos 70. Esse ritmo musical era mais comum entre jovens de origem espanhola e negra, de bairros pobres da cidade de Nova York.

Suas letras parecem discursos, falando sobre as dificuldades da vida das pessoas que moram em bairros pobres de grandes cidades ou problemas do país em geral, com muitas gírias e danças, como por exemplo, o break. Além disso, o Rap está relacionado com os grafites das paredes.

História do Rap Nacional

Mesmo antes do Rap chegar oficialmente no Brasil, foram lançadas músicas que eram do mesmo estilo, entre elas estão “Deixa isso pra lá” do Jair Rodrigues, “Melô do tagarela”, do Luís Carlos Miele e Arnaud Rodrigues”, “Mandamentos Black”, do Gerson King Combo e “Melô do mão branca”, também do Gerson King Combo”.

O ano oficial da chegada do Rap no Brasil foi em 1986, em São Paulo Capital. Apenas pessoas da periferia, que seu reuniam na época na Galeria 24 de maio e no metrô, na estação São Bento. As pessoas de fora da periferia não gostaram logo de cara desse estilo musical, pois o consideravam muito violento e pertencente apenas à periferia. Também frequentavam os locais de Rap, os dançarinos de breakdance, de hip hop.

Uma das primeiras pessoas conhecidas por esse tipo de dança se chamava Nelson Triunfo. A partir desses fatos, surgiram os rappers, os cantores da modalidade Rap, que tinham como apelido “tagarelas”. Nessa mesma época, houve uma divisão de grupos entres os rappers. Então, alguns fora para a Praça Roosevelt. Os rappers se tornaram os responsáveis por fazer a divulgação dessa cultura musical.

E em 1988 foi lançado o primeiro álbum feito apenas de raps brasileiros, chamado de “Hip-Hop é cultura de rua”. Foi feito pela gravadora Eldorado, com produção de Nasi e André Jung, que eram, na época, membros da banda Ira!, uma banda de rock. Os principais artistas lançados através desse álbum foram Thaíde e DJ Hum, Código 13 e MC Jack.

Ainda durante o ano de 1987, foi lançado outra coletânea de raps, que lançou o grupo Racionais MC’s, falando sobre injustiças sociais e desigualdades.

Nos anos 90, eles continuaram a fazer sucesso e a lançar mais músicas.

Em 1992 surgiu a banda Planet Hemp, que tinha como membro o Marcelo D2. O estilo musical deles era uma mistura de rap com reggae e rock. Entre outros temas, o mais comum era sobre a legalização da maconha.

Então surgiu Gabriel, o Pensador, por volta dessa mesma época. Ele assinou contrato com a Sony Music e lançou seu primeiro álbum, de mesmo nome seu. Inclusive, um de seus clipes teve a participação de Ronaldo, jogador de futebol.

Nessa mesma década de 90, surgiu ainda, o Facção Central, falando sobre pobreza, violência, crime e pressão da polícia nas favelas. Surgiu o Pavilhão 9, que causou polêmica.
E o rap nacional se propagou para a Região Metropolitana de Brasília.

Nos anos 2000, o rap continuou se propagando pelo Brasil. Os nomes famosos que surgiram na década de 90 continuaram fazendo sucesso, lançando álbuns e músicas. Além disso, vários outros nomes surgiram, como o grupo Quinto Andar.

Rap Nacional nos anos 90

Foi essa a década principal do Rap Nacional, onde surgiram grandes nomes de nossa cena nacional, muitos que até hoje estão na ativa, outros que não existem mais mas foram igualmente importantes para a criação de nossa cultura hip hop. São eles, entre outros:  Racionais, RZO, Dexter Oitavo Anjo, Mv Bill, Billy Saga, Mano Brown, Edi Rock, Black Alien, Sabotage, Sistema Negro, Câmbio Negro, Facção Central.

Rap Nacional nos dias atuais

O Rap Nacional agora é um estilo musical que está um pouco mais popularizado. Não somente as pessoas de uma classe social baixa ou negros, que vivem nas periferias, que cantam e curtem as músicas. As letras continuam sendo sobre assuntos importantes, continuam informando sobre situações que acontecem.

Alguns dos nomes das décadas anteriores continuam atuando, e Marcelo D2 já conseguiu alcançar uma relevância internacional. E, claro, surgiram artistas novos que estão fazendo bastante sucesso.

Nomes da geração atual do Rap Nacional

Alguns nomes que se destacam hoje na nova geração do Rap Nacional:

  • ZRM: essa banda lançou o primeiro álbum em 2012. Costumam falar bastante sobre a cultura do skate.
  • Don L: esse artista gosta de trazer mais do que o Rap. Ele sempre traz referencias de músicas, filmes, fotografias, poesias e artes em geral.
  • Sant: “adotado” pelo Marechal, vem fazendo sucesso com músicas muito bem rimadas.
  • Primeiramente: é um grupo musical que gosta de trazer a raiz do Rap, com músicas pesadas e letras revoltadas e firmes.
  • 3030: esse grupo trouxe diferenciais, ao trabalhar com música acústica e com instrumentos como teclado, violão e guitarra.
  • Família Madá: esse grupo tem origem da área boêmia da cidade de São Paulo. Atualmente, fazem letras com muita influência da vida noturna paulistada e de skate.
  • Rapadura: esse artista traz a cultura nordestina em seu trabalho, misturando com batidas de Hip-Hop.
  • Síntese: traz muita reflexão em suas letras, bastante conteúdo.

Raps Nacionais de maior sucesso na década de 90

A década de 1990 trouxe muitos raps nacionais que ficaram consagrados, principalmente por ser logo após a difusão desse estilo musical para todo o Brasil. Veja a seguir uma lista de algumas músicas daquela época que valem a pena conhecer.

  • Homem na estrada. Essa música, do Racionais MC’s surgiu em 1993. Foi considerada um divisor da carreira dos artistas que a fizeram, pois marcou a época em queles começaram a falar mais sobre a periferia e menos sobre o movimento negro.
  • Millenium. Lançada em 1999, é ddo Z’África Brasil com o Zampa & Zona Blu. É considerada uma música que buscou um pouco de modernidade nas batidas e na parceria. Esse grupo musical costuma falar bastante de direitos humanos, quilombolas e indígenas.
  • Dando trabalho pros anjos. Essa música é do DJ Jamaika, lançada em 1998. É considerada uma versão dura da realidade da canção “Knockin’ On Heaven’s Door” do Bob Dylan.
  • Agora a casa cai. É do Doctors MCs, em 1998. É considerada uma música de festa, por ter um som mais forte.
  • De esquina. Uma músiva do Xis & Dentinho, lançada em 1999. Tem um som mais tranquilo. Não é tão escandalosa como outras lançadas por esse mesmo artista.
  • Medo. Uma música de 1993, do artista Rap Sensation. Fala sobre não criar problemas por conta de qualquer coisa. Diz que cada um tem seus próprios problemas para resolver, tenta ajudar as pessoas a lidarem com seus medos.
  • Nós somos negros. Do Face Negra e lançada em 1992. Essa música foi feita após o artista ver que seu primo foi levado preso apenas por ser negro, sem nunca mais voltar. Tenta mudar essa situação no país, para que casos como esse não mais acontecessem.
  • Periferia segue sangrando. Foi lançada em 1996 e é do artista GOG. A letra dessa música trata da violência que ocorrer nas partes pobres da cidade.
  • Confidências de uma presidiária. Essa música é do grupo Visão de Rua e foi lançada em 1994. Sua letra conta sobre a experiência de uma mulher (a já falecida e grande Rapper Dina Di) em uma prisão.
  • Mágico de Oz. Pertencente aos Racionais MC’s, essa canção foi lançada em 1997. A sua letra conta a história de um menino que pedia dinheiro nas ruas para poder comprar drogas. Trata de fé e desesperança
  • Pule ou empurre. Essa música foi lançada em 1993, pelo RPW. Fala sobre a cultura hip-hop e sobre a periferia.
  • H Aço. O grupo DMN & Edi Rock lançou essa canção em 1998. Sua letra trata sobre os problemas na periferia.
  • A Vingança. Essa música é dp grupo Face da Morte e foi lançada no ano de 1998. Sua letra é sobre como as empregadas domésticas eram tratadas pelos seus patrões, sendo muitas vezes estupradas pelos mesmos.
  • Real Periferia. É do grupo RZO & Negra Li. Saiu no ano de 1999. Sua letra é sobre ressentimento. Fala sobre a repressão policial e a diferença de classes.
  • Soldado do Morro. O grupo MV Bill lançou essa música no ano de 1999. Conta sobre a vida das pessoas que ficam de vigia nas favelas.
  • Bem-vindo ao Inferno. Essa música é do grupo Sistema Negro, lançada em 1994. A letra dessa canção trata sobre a favela, falando sobre seus assuntos, como preconceito racial.
  • Lembranças. O grupo Consciência Humana lançou essa música em 1997.essa é considerada uma das mais emocionantes músicas do rap nacional, pois fala sobre perder um amigo para o vício em drogas, mais especificamente ao crack.
  • Chacina. Essa música é do grupo Pavilhão 9 com participação dos Ratos de Porão, lançada em 1994. É uma mistura de rap com um pouco de rock, trazendo um som bem pesado.
  • Isso aqui é uma guerra. O grupo Facção Central liberou essa música no ano de 1999. Essa letra trata sobre um grupo de bandidos que estavam fazendo planos para assaltar um banco.
  • Malandragem dá um tempo. Pertence a Thaide e DJ Hum. Foi lançada em 1996. A letra dessa música é sobre um amigo que está falando para outro amigo sair da vida do crime, falando sobre novos caminhos, relembrando brincadeiras que eles tinham quando eram crianças e mostrando como viver uma vida mais tranquila, mais saudável e sem riscos.
  • Sem você eu não sou nada. Foi lançada em 1995 pelo NDee Naldinho. Essa música é sobre um homem que está apaixonado e não tem medo de dizer isso para ninguém.
  • Dia de visita. Essa música é do grupo Realidade Cruel e foi lançada em 1999. Fala sobre pessoas que estão presos e sentem saudades da família, filhos, esposas e sobre a vida que estão tendo agora e que os levou a isso, como assalto aos bancos, com tiros e flagrantes. Faz uma reflexão sobre escolhes e consequências.
  • Saudade. É da Sharylaine, lançada em 1992. Essa música conta as dificuldades de ser mulher, sobre a infância em si.
  • A cor da pele não influi em nada. Essa canção pertence ao grupo Filosofia de Rua e foi lançada em 1993. Sua letra trata sobre a união de raças. Muitos raps antes lançados falavam sobre enfrentar os ricos e brancos. Então, o Filosofia de Rua quis fazer uma que falasse sobre como a cor da pessoa realmente não importa e que todos deveriam ser unidos e não lutar uns contra os outros.
  • A bola do mundo. É do grupo De Menos Crime e foi lançada em 1998. Essa letra conta, principalmente, sobre desconfiança, de como saber chegar, sobre os tempos que estão super violentos, mas de uma forma leve, com gingados e breaks.
  • Mano de fé. Essa música foi lançada em 1999 pelo grupo Potencial 3. A banda inovou ao tornar o rap um pouco mais brasileiro.
  • Sou negrão. É da banda Posse mente zulu. Logo que a música foi lançada se tornou um hino; citando pessoas como Jamelão e Miles Davis. A música fala sobre a celebração da cultura negra.
  • Filho. É da cantora Dina Di, lançado em 1999. Um rap feito para consolar o filho que acredita na recuperação de um pai que pendeu pra criminalidade.
  • Eu tiro a onda. Do artista Marcelo D2 com participação de Shabazz The Disciple, lançado em 1998. Os cantores quiseram mostrar através do rap que o Brasil está conectado aos preceitos do rap que regem ao hip hop dos Estados Unidos.
  • Mundo da lua. Do grupo S.N.J. ( Somos Nós a Justiça ) , também lançado em 1998. A canção foi criada com o propósito de dar uma ideia dos efeitos nocivos das drogas.

Outras músicas do rap nacional que vale a pena ouvir:

• Naquela sala
• Roleta russa
• Um barato é louco
• Eu sô função ( part. Racionais Mc’s )
• Canta boca de lata
• Só os fortes
• Saudades mil
• A indústria
• Racistas otários
• O bonde não para (part. Kmila )
• Aquela mina é firmeza
• 3º opção
• Depoimento de um viciado
• Dia de visita
• O mensageiro
• A vingança
• Refém da amnesia
• Brinquedo maldito
• Na zona sul
• Pisou na bola Bum!
• A marcha fúnebre prossegue
• O quinto vigia
• Um bom lugar
• Desculpa mãe
• Favela sinistra
• Muita treta
• Sinal da cruz
• Veja

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