Djonga lança “Nu”, um álbum conceitual baseado no cancelamento

Todo artista está sempre pelado, mostrando todas as suas contradições”. Essa é uma das explicações que Djonga dá para o título do seu quinto disco, “Nu”. O nome do novo trabalho, que chega no dia 13 de março (assim como aconteceu com todos os anteriores), também remete à expressão mineira que o batiza. “A cada música que eu terminava, eu soltava um  ‘nuuuu’, como uma forma de alívio, mas também pela sensação de ter achado o resultado muito foda”, diz o artista. O álbum chega nos aplicativos de streaming e no canal de YouTube pela Ceia Ent. e com distribuição da Altafonte.

Nu” é resultado de um dos anos mais sinistros vividos pelo rapper mineiro. Traz tudo o que ficou acumulado dentro dele durante o período  de isolamento social e digital (ele optou por deletar o seu Twitter e sair das redes sociais). Mais introspectivo, ele traz muito do Djonga do “Heresia” (2017), seu disco de estreia, e relata ao longo de oito faixas como o vazio lhe pegou em cheio. “Queria falar do que estava sentindo. Mas acredito que o ser humano é muito parecido na essência, então, talvez, as pessoas se identifiquem também”, afirma.

Nós” é o ponto de partida de “Nu”, com beats de Nagalli e Coyote Beatz. A faixa funciona como um último grito do disco “Histórias da Minha Área, lançado em março de 2020. “Ó Quem Chega” é um recado pros vacilões, enquanto “Xapralá” surgiu da necessidade que o artista sentiu de fugir de si para se encontrar. “Essa é uma das minhas favoritas, era tanto sentimento que eu nem fiquei pensando em punchline”, comenta o  rapper sobre a faixa que traz beats do MDN Beatz.

Me Dá a Mão” é um pedido de socorro sonorizado em formato de lovesong. Mostra os muitos Djongas vivos e possíveis dentro do corpo de Gustavo Pereira Marques – alguns serão aclamados, outros nem tanto. “Vírgula” marca o meio do percurso de Nu, além de ser um ponto de virada do álbum. “O sentimento é de que graças a Deus num teve ponto final pra mim e pros meus. Nós respiramos”, fala o artista.

Ricô” é uma interrupção no processo de Djonga. A música traz a participação de Doug Now. “Ele é o melhor MC de BH. Pode dar print aí, ele tá vindo… Vamos lançar coisas dele em breve”, promete Djonga

Com Thiago Braga e Budah, “Dá pra Ser” é um hitzinho que resulta do discurso de “Me Dá a Mão”. O pedido de socorro atendido abre possibilidades incontáveis e mais leves: “a vida é uma folha branca,  a história nós monta”.

Eu” encerra “Nu” e trata-se da faixa que resume o trabalho inteiro. Não à toa, foi a primeira que Djonga compôs. A música em que o menino que queria ser Deus se revela humano e complexo demais em sua completude, algo que ele compreendeu, mas um assunto que, talvez, a turma do dedo apontado não esteja disposta a conversar.

Em entrevista ao UOL, o rapper disse que esse é seu último álbum:

Último, último, mesmo?É, tá bom, já. Até aqui já está bom. Falei muita coisa que eu queria falar. Agora, eu preciso de um último tempo.”

Você vê “Nu” como o seu último disco?O último disco. Talvez eu comece a trabalhar com mais singles, com participações.”

“É uma capa que diz muita coisa ao mesmo tempo. Tem a ver com o fato de eu ter entregado de bandeja para todo mundo. Ter entregado minha vida, minha singularidade, flagra? Ao mesmo tempo, tem o julgamento, o dedo apontado.”

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Categorias Rap

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