Diomedes Chinaski encerra 2018 com “24 Horas de Liberdade”

Diomedes Chinaski encerra 2018 com “24 Horas de Liberdade”
Diomedes Chinaski encerra 2018 com “24 Horas de Liberdade”
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O rapper pernambucano Diomedes Chinaski lançou na última sexta-feira, dia 28 de dezembro de 2018, seu último single “24 Horas de Liberdade” de 2018, simbolizando os últimos momentos de libertação enquanto o Brasil não é governado pelo próximo presidente.

Esta é a primeira faixa coproduzida por Diomedes Chinaski, ao lado de DK e DJ Bac. O clipe foi gravado no centro de São Paulo e teve atuação da atriz Aline Tófalo, personagem central de uma história vivida por diversos momentos e lembranças de um homem considerado uma ameaça para o Estado.

O Aprendiz aposta no amor como forma de revolução e fuga dos dias que virão. As cenas apimentadas de tesão entre o casal criaram uma atmosfera de adrenalina e tensão entre os amantes. O roteiro do vídeo foi assinado pela produtora Tássia Seabra, em parceria com o próprio MC, num projeto encabeçado pela Aqualtune Produções, coletivo e produtora de mulheres negras criado em Recife, capital pernambucana, com o intuito de dar visibilidade e profissionalizar artistas periféricos. A produção audiovisual é da Valete de Copas.

Essa música fala de aproveitar o último dia de liberdade com toda força, para ficar na memória, já que fodeu tudo. Com uma ditadura, tudo se torna menos humano e até mesmo o sexo é controlado. Tem um trecho do livro “1984” (clássico de George Orwell) em que os personagens transam muito e com uma vontade muito grande porque até o sexo estava proibido pelo governo. Então, eles transam escondidos e com uma excitação política”, explica Chinaski, que arremata: “A ditadura vem com uma onda de moralismo muito grande e o sexo acaba sendo um ato de rebeldia e revolução também”.

Tássia acredita que a participação da atriz contribuiu muito para o resultado do trabalho e ressalta a importância deste papel. “A atriz é uma mulher negra que representa muitas mulheres de hoje, que já sofreram muito com a objetificação, mas que querem viver a autonomia dos seus corpos e exercitam sua sexualidade sem medo de rótulos”, explica.

Esta é a segunda parceria de Diomedes com Valete de Copas, que já usou a música Quem mora lá?, como trilha sonora de um documentário que aborda a questão do déficit de moradia no Recife. No ano em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos completou 70 anos, o artigo 19, que versa sobre liberdade de expressão, também está sinalizado no clipe por meio do trabalho do artista pernambucano Outro, autor da capa de Comunista Rico, que aparece no criado mudo.

O chapéu vermelho com o nome de Lula, a parede de avisos com os alvos do guerrilheiro são outros indícios que dialogam com o atual cenário político brasileiro, uma marca do trabalho de Chinaski.

Queria que a sonoridade lembrasse o Brasil do Golpe de 1964, optei por samplear Bossa Nova, porque acho que ela representa muito isso. Não a apropriação cultural e a revolução branca burguesa da época. Essa atmosfera me faz lembrar os dias atuais. Os intelectuais burgueses sambando sem malemolência, os militares loucos. Acho que a sonoridade da Bossa Nova traz esse Brasil para as nossas cabeças”, explica o músico que assina coprodução do beat ao lado de DK e DJ Bac. “Agora, produzo executivamente junto com os beatmakers na tentativa de buscar sonoridades ímpares e inovadoras”, revela o Aprendiz, que tem como inspiração nomes como Kanye West e Tyler The Creator.

O clipe foi disponibilizado no YouTube a música entrou nas plataformas de streaming no último domingo, dia 30 de dezembro, do ano.

  • Destacamos que o videoclipe conta com restrição de idade

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